China inaugura o primeiro data center submarino movido a energia eólica
Com 24 megawatts de capacidade, a nova infraestrutura utiliza a temperatura da água do mar para resfriamento, reduzindo drasticamente o consumo de energia.
A infraestrutura submarina como resposta ao consumo da IA
A China acaba de consolidar um marco operacional na infraestrutura de dados: a inauguração do primeiro data center submarino (UDC) movido inteiramente por energia eólica. Localizado na costa de Xangai, na zona de livre comércio de Lin-gang, o projeto é uma tentativa direta de equilibrar o crescimento acelerado de processamento de Inteligência Artificial com a necessidade de eficiência energética.
O complexo, fruto de uma colaboração entre a HiCloud Technology e a China Communications Construction, exigiu um investimento de 1,6 bilhão de yuans (aproximadamente 236 milhões de dólares). Para quem trabalha com operações de TI, o dado mais interessante aqui não é apenas a localização, mas a eficiência térmica.
Eficiência térmica: o fim do resfriamento convencional?
Data centers convencionais costumam gastar entre 40% e 50% de sua energia apenas com sistemas de ar-condicionado. Ao submergir a estrutura a 10 metros de profundidade, o projeto utiliza a água do mar como dissipador natural de calor.
Essa mudança reduz a necessidade de refrigeração ativa para menos de 10% do total. O resultado prático é medido pelo PUE (Power Usage Effectiveness): o complexo opera com um PUE de 1,15, um índice considerado de elite na indústria, onde 1,0 seria o limite teórico da perfeição.
Principais indicadores da operação:
- Capacidade inicial: 24 megawatts.
- Redução de consumo energético: 22,8% comparado a data centers terrestres.
- Economia de recursos: 100% de redução no uso de água potável e mais de 90% no uso de solo.
- Matriz energética: Mais de 95% provida por fontes renováveis.
Geopolítica e a corrida pela infraestrutura de IA
Enquanto o mercado global discute a escassez de componentes e o alto custo operacional de treinar modelos, a China tem focado em autonomia energética. O país entende que, para sustentar a liderança em IA — área onde, junto aos EUA, detém 90% da infraestrutura mundial —, não basta ter GPUs; é preciso ter energia barata e estável.
Desde junho de 2025, o país reformou seu mercado elétrico, obrigando que toda energia eólica e solar seja comercializada via mecanismos de mercado, eliminando subsídios antigos. Essa manobra visa forçar a eficiência industrial e garantir que o custo da computação não dispare conforme a demanda por agentes de IA aumenta.
O que isso muda na prática para o seu dia a dia?
Embora a implementação submarina seja um caso extremo, a busca por PUE baixo é uma tendência que vai impactar todos os níveis de serviço. Se você gerencia infraestrutura ou depende de cloud, a pressão por "green computing" deixará de ser um selo de marketing para se tornar uma métrica de custo operacional. A infraestrutura de dados está se tornando cada vez mais densa e cara, e a otimização de recursos será o diferencial competitivo.
Para times que ainda gerenciam custos de projetos e operações de forma fragmentada, plataformas como a Orqueza ajudam a centralizar o controle de gestão e financeiro, garantindo que o foco permaneça na entrega técnica e não no desperdício operacional.
Fonte: wired.com
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